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Petrobras muda política e vai reajustar diesel no mínimo a cada 15 dias

No texto, a estatal não explica as razões para a mudança, que pegou de surpresa o mercado.

Por Nicola Pamplona | Folhapress

Em meio a uma nova onda de insatisfação dos caminhoneiros, a Petrobras anunciou nesta terça (26) mudanças em sua política de preços para o diesel, que passará a ter reajustes em um prazo mínimo de 15 dias.

A companhia anunciou ainda estudos para a implantação de um cartão de pagamentos -batizado de Cartão Caminhoneiro- para a compra do combustível a preço fixo em postos da BR Distribuidora, como proteção contra a volatilidade de preços.

A mudança na periodicidade dos reajustes foi aprovada pela diretoria da estatal em reunião na segunda (25). Diferentemente do que aconteceu em outras ocasiões semelhantes, não há previsão de entrevista para detalhar a medida.

Em comunicado ao mercado, a Petrobras afirmou que manterá a política de acompanhamento das cotações internacionais, mas que os reajustes se darão em “períodos não inferiores a 15 dias”.

No texto, a estatal não explica as razões para a mudança, que pegou de surpresa o mercado. A companhia disse mais tarde que o objetivo é “conferir aos clientes maior previsibilidade à trajetória de preços”.

É a segunda mudança na periodicidade dos preços desde que a política de reajustes diários foi estabelecida, em 2017, e bastante criticado em 2018, quando a escalada de preços levou à greve dos caminhoneiros que paralisou o país por duas semanas.

No texto, a estatal não explica as razões para a mudança, que pegou de surpresa o mercado. É a segunda mudança na periodicidade dos preços desde que a política de reajustes diários foi estabelecida, em 2017.

O modelo de reajustes diários foi bastante criticado em 2018, quando os preços dos combustíveis dispararam, em um processo que culminou com a greve dos caminhoneiros que paralisou o país por duas semanas.

Após o fim do programa de subvenção criado para encerrar a greve, no final de 2018, o preço do combustível voltou a subir. Até agora, a alta acumulada em 2019 é de 18,5%.

Apoiador da greve dos caminhoneiros, o presidente Jair Bolsonaro disse há uma semana no Twitter que buscava uma solução para o problema.

“Sabemos que uma das principais reclamações do brasileiro é o preço dos combustíveis e temos conversado com os ministérios responsáveis para absorver tal demanda e até poder diversificar”, afirmou o presidente, que vem criticando também a carga tributária sobre os combustíveis.

Nas bombas, porém, o repasse ainda é pequeno, de acordo com dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis). Em média, litro do diesel no país foi vendido a R$ 3,540 na semana passada, apenas 2,5% acima do verificado na última semana de 2018.

A política de reajustes diários foi implantada em julho de 2017 pelo então presidente da Petrobras Pedro Parente. Com a escalada dos preços internacionais no primeiro semestre de 2018, passou a ser atacada inclusive por aliados do governo.

Em maio, após pedido de renúncia de Parente, o governo Temer lançou um programa de subvenção aos preços, que garantia ressarcimento a empresas que se dispusessem a vender o combustível a um valor tabelado pela ANP.

O programa foi encerrado em dezembro. Até agora, a ANP já pagou R$ 6,7 bilhões em ressarcimentos com recursos do Tesouro Nacional – o valor deve superar os R$ 7 bilhões.

Com o fim do programa, a Petrobras decidiu segurar reajustes do diesel, como já vinha fazendo com a gasolina desde outubro de 2018. A empresa alega que pode usar mecanismos de proteção financeira – conhecidos como hedge -para evitar prejuízos.

“A medida concilia os interesses da companhia, uma vez que o princípio da paridade de preços internacionais está mantida, e as demandas dos consumidores por menor volatilidade no curto prazo”, disse a estatal.

Na nota enviada ao mercado, a estatal também não explicou como funcionará o Cartão Caminhoneiro. Disse a penas o modelo será implantada em até 90 dias.

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