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Dia do Bombeiro brasileiro: O 02 de julho além da Independência da Bahia

O Forte da Notícia, em parceria com a Rádio Clube FM 92,7 de Santo Antônio de Jesus, conversou com o Ten. Coronel Valdemir Matias dos Santos, lotado no 16º GBM da Bahia.

Em 02 de julho de 1823, se consolida finalmente a independência do Brasil (após o 7 de setembro), com a expulsão dos portugueses da Bahia. 33 anos depois, em 02 de julho de 1856, cria-se através de Decreto Imperial, o Corpo de Bombeiros Provisório da Corte, com jurisdição apenas sobre a cidade do Rio de Janeiro. Surge então o Corpo de Bombeiros brasileiros.

Com uma história incrível, por detrás de muitas lutas árduas, marcadas por guerras, incêndios e dezenas de vidas perdidas, o trabalho de contenção de incêndios, era realizado pelo Arsenal da Marinha, com a participação obrigatória de todos os funcionários públicos da época, com a participação dos bombeiros voluntários (o termo “bombeiro” surge após a necessidade de se carregar as bombas de água do Arsenal da Marinha, para contenção de incêndios).

Como todo período colonial, o surgimento do Corpo de Bombeiros não tem base diferente: os trabalhos “voluntários” de contenção de incêndios no Estado da Bahia, era obrigatoriamente feito pelas mãos dos escravos e crioulos, que se utilizavam de barris de água, ferramentas e bombas do Arsenal da Marinha, nas ocasiões de sinistros.

O Brasil enfim, passa do a ser um Estado independente de seu principal colonizador e começa a se desenvolver de forma independente, no que diz respeito às forças militares. Ao passo que o Brasil ia dando seus passos rumo a total independência, o Corpo de Bombeiros também foi recebendo formato específico, através de investimentos e capacitações para prestação de serviços à comunidade, não apenas no combate a incêndios.

No dia 25 de Janeiro de 2016, foi criado o 16º Grupamento de Bombeiros Militar, conforme ato administrativo, através do Decreto nº 16.555 assinado pelo Governador Rui Costa. O 16° GBM da Bahia tem em suas atividades diárias combate a incêndios, busca e salvamento, atendimento pré-hospitalar e ações preventivas como palestras, vistorias, campanhas educativas e monitoramento de eventos.

Em Valença, Baixo Sul da Bahia, aconteceu no mês de março deste ano, um incêndio no ponto principal da Serra do Abiá, localizada no Distrito de Guerém, zona rural de Valença. O sinistro teve duração de sete dias e o incêndio foi contido após árduo trabalho do 16º GBM da Bahia, além da participação ativa de voluntários da zona rural e da sede do município, do IF Baiano, das Secretarias municipais de Meio Ambiente e Industria e Comércio, representantes do Poder Legislativo estadual e municipal, alguns comerciantes e imprensa local.

Imagens aéreas do incêndio no ponto principal da Serra do Abiá, zona rural de Valença – Bahia. (Foto: Reprodução)

Para destacar o acontecimento importante que esta data representa para o Estado da Bahia, o site Forte da Notícia, em parceria com a Rádio Clube FM 92,7 da cidade de Santo Antônio de Jesus, conversou com o Ten. Coronel Valdemir Matias dos Santos, lotado no 16º GBM da Bahia que há três anos, comanda o Grupamento no Recôncavo e que atualmente conta com 160 profissionais entre homens e mulheres, que atuam em 35 municípios, entre Recôncavo e Baixo Sul.

Com uma bagagem de 18 anos atuando na Polícia Militar e 17 anos no Corpo de Bombeiros, Matias afirma que “ama a profissão e a tem como uma missão importante e um verdadeiro Sacerdócio”.

Repórter Felipe Pereira da Rádio Clube FM de Santo Antônio de Jesus entrevistando o Ten. Cel. Matias, Comandante do 16º GBM.
Repórter Felipe Pereira da Rádio Clube FM de Santo Antônio de Jesus – Bahia entrevistando o Ten. Cel. Matias, Comandante do 16º GBM. (Foto: Késsia Campos)

Clique no play abaixo e confira na íntegra, a entrevista do Ten. Cel. Matias, cedida ao Repórter Felipe Pereira, da Rádio Clube FM 92,7 de Santo Antônio de Jesus.

O combate aos incêndios na Bahia durante o Império

D. Pedro, príncipe regente do Brasil em 1821, depois de um processo de pressão para seu retorno à Lisboa, acaba por proclamar a independência em 7 de setembro de 1822, que foi consolidada em 02 de julho de 1823, com a expulsão dos portugueses na Bahia, último foco de resistência à separação entre a antiga colônia e a metrópole.

 Naquele período, o Serviço de Incêndio na Bahia era executado, de forma precária, pelo Arsenal da Marinha, sob o comando do Inspetor do Arsenal. Em 02 de agosto de 1829, o vereador Lázaro José Jambeiro consultava em plenário se era obrigatório os vereadores participarem do Corpo de Bombeiros Voluntários, recebendo resposta negativa. Contudo, ficou decidido que todos os funcionários públicos deveriam deixar as repartições ao toque dos sinos anunciando um incêndio e buscar a bomba no Arsenal da Marinha.

Em 14 de junho de 1833, em decorrência das fortes chuvas que caíram durante 45 dias, se verificaram deslizamentos de terras em toda a encosta da Montanha, inclusive na Ladeira da Misericórdia e da Conceição da Praia. Em 12 de outubro daquele mesmo ano, o vereador José Bruno Antunes Guimarães falou em plenário sobre a necessidade de se organizar um melhor serviço de bombeiros e expôs seu projeto (que nunca foi aprovado):

Os incêndios que haviam se repetido na capital da província prejudicando a fortuna particular, abandonada no país quando os proprietários pagavam impostos, propôs que houvesse em cada freguesia uma bomba contra incêndio aos cuidados e direção do Juiz de Paz, que organizaria os artífices, caixeiros, jornaleiros da Câmara e da Alfândega em decúrias, comandadas por homens de confiança, subordinados hierarquicamente a um chefe geral. Haveria em cada decúria um chefe, um mestre e um contra-mestre. Os moradores teriam a obrigação de apresentarem aos inspetores seus escravos com baldes d’água, barris, cordas, escadas e ferramentas nas ocasiões dos sinistros para assinalarem o local enquanto tocava o sino mais possante da freguesia. As bombas do Arsenal da Marinha e do Arsenal de Guerra continuariam a prestar seus relevantes serviços. Os navios de guerra ou mercantes desembarcariam suas bombas e seus materiais quando preciso. Os negros e os crioulos libertos teriam a obrigação de ter sempre em casa um barril cheio d’água; pagariam uma multa de 4 mil réis e ficariam presos por oito dias se não se apresentassem nos incêndios com seus barris. O Comandante da Polícia estabeleceria o isolamento do local, pondo guardas para a vigilâncias e garantia do salvado”.

Em 03 de novembro de 1848, um incêndio irrompido nas casas contíguas à Alfândega foi contido graças à intervenção dos marinheiros das corvetas francesas “Heroine” e “Expeditive” e do brigue inglês “Grecian”. A Associação Comercial da Bahia resolveu gratificar os tripulantes pelo valioso serviço que haviam prestado espontaneamente ao comércio da Bahia.

No mês de julho de 1850, a Associação Comercial da Bahia recebeu uma bomba a vapor, com tração humana, de fabricação inglesa, contratou o técnico inglês Luigi Beanchy e mais 36 homens para conduzi-la.

Em 22 de abril de 1856, ocorreram grandes incêndios no Trapiche Quirino e no Pilar, situados na freguesia do Pilar. Naquele ano, o Teatro São João, atual Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, incendiou-se pela terceira vez. O Imperador D. Pedro II resolveu criar então, em 02 de julho de 1856, através de Decreto Imperial nº 1.775, o Corpo de Bombeiros Provisório da Corte, com jurisdição apenas sobre a cidade do Rio de Janeiro.

Na Bahia, em 12 de janeiro de 1859, num sobrado de quatro andares na Rua Nova do Comércio, atual Rua Portugal, onde funcionava o Banco da Bahia, ocorreu mais um incêndio, no qual perdeu a vida o saveirista conhecido como “Capichaba”, que fora auxiliar na extinção do fogo. No dia 18 daquele mesmo mês, a Associação Comercial sugeriu ao Presidente da Província, Francisco Xavier Paes Barreto, a “criação de uma companhia de bombeiros, sob a direção de um Engenheiro Inspetor de Fogos e seus ajudantes”.

Os incêndios continuavam se sucedendo. Em 1872 foi a vez do Banco de Justino, situado na Rua das Princesas. Em 1877, o Trapiche de piaçava do Coronel Pedroso de Albuquerque e, no mesmo ano, novo incêndio no Banco da Bahia.

O Governador da Província Antônio de Araújo de Aragão Bulcão sancionou a Lei Provincial nº 1.945, de 21 de fevereiro de 1880, que autorizava a Companhia do Queimado a instalar dez hidrantes no Comércio.

Assim, a Província da Bahia encerra a sua fase imperial com muitos incêndios, muitas vidas ceifadas e patrimônio destruído e alguns comerciantes empobrecidos. Em 1904, já após a criação do Corpo de Bombeiros Municipal, a Associação dos Voluntários contra Incêndio foi reorganizada e transformada em Guarda Noturna, com uniformes e material adequado para extinção. Encomendaram-se à época 02 bombas, 20 lanternas, 10 machados e 12 porta-baldes metálicos. Posteriormente, a Guarda Noturna foi incorporada ao Corpo de Bombeiros.

A criação do Corpo de Bombeiros na Bahia

Em 23 de novembro de 1889, assumiu o governo estadual Manuel Victorino Pereira, que divergiu com o governo federal e, em 26 de abril de 1890, passou o cargo ao Marechal Hermes da Fonseca, que comandava a guarnição do Exército em Salvador, nomeado pelo seu irmão, Marechal Deodoro da Fonseca, então Presidente da República Federativa do Brasil.

O Marechal Hermes assumiu o governo em um clima bastante tenso, inclusive pelo grande incêndio ocorrido em 04 de março de 1890 na zona comercial, que destruiu um quarteirão e a Ladeira do Taboão, deixando um saldo de 48 mortos e dezenas de feridos.

Procurou de imediato acalmar os ânimos e consolidar as instituições republicanas, tais como a Força Policial (Polícia Militar) que, através de Decreto datado de 16 de maio de 1890, promoveu uma grande reforma administrativa e criou a 11ª Companhia de Combate a Incêndios, para substituir a então Corporação de Bombeiros Voluntários.

A Associação Comercial da Bahia, que custeava as despesas dos bombeiros voluntários, resolveu não mais fazê-lo e doou os equipamentos e quartéis existentes à 11ª Companhia de Polícia, que durou até 07 de junho de 1891.

Em 1896, foi prefeito da Cidade do Salvador o Conselheiro José Luiz de Almeida Couto, político de grande experiência administrativa que criou, através da Lei Municipal nº 124, de 26 de dezembro de 1894, o Corpo de Bombeiros da Cidade de Salvador, para executar, de modo regular e permanente, os serviços de combate contra incêndios e prestar socorros imediatos e profissionais nos casos de desabamentos, inundações, explosões, entre outras situações.

Fonte: Site institucional – Corpo de Bombeiros Militar da Bahia

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